sábado, 9 de maio de 2009

Atenção, doadores!

Estou cada vez mais convencido de que doar sangue tem que ser um ato de extremo amor pela humanidade.

Só assim para relevar o estresse que esse ato, ou a frustração desse ato, acaba causando na gente. Vejamos.

Eu já contei aqui sobre a barbeiragem da enfermeira na minha doação em outubro passado, que resultou num hematoma gigantesco no braço. Em dezembro, após uma primeira recusa por causa da minha pressão no dia, na volta tudo correu bem. Mas em fevereiro, depois de ter sido recusado porque -- por dois dias -- ainda nao haviam se passado dois meses antes da última doação, na semana seguinte outra enfermeira, nova barbeiragem, o outro braço, quatro ou cinco picadas, mais um hematoma!

Mas, enfim, tudo bem, o importante é o ato de doar. O grupo escoteiro dos meninos está fazendo uma campanha, cada comprovante de doação vale muiiitos pontos na gincana entre eles, e lá fui eu hoje cedo ao Hemepar. Gosto de chegar cedo, pois há menos fila e o atendimento é mais rápido. Senha número 7, o número 4 já estava sendo atendido quando cheguei.

Antes de mim, o número 6 foi sumariamente recusado: "o senhor fez uma doação na Santa Casa em 1998 e foi proibido de doar novamente!!" Assim, sem preliminares. O número 6 ficou branco, um susto e tanto... vai ter que voltar lá na Santa Casa, 11 anos depois, e descobrir qual é o problema com o sangue dele...

Minha vez. Ficha preenchida (leia o ps), vamos à entrevista com o triador:
-- Bom dia. Voluntário?
-- Sim, pro grupo escoteiro, só preciso o comprovante.
-- ... (aparentemente acessa minha ficha no computador): o senhor não pode doar, ainda não passou o prazo.
-- Ah, passou sim, a última vez foi em fevereiro, é uma a cada dois meses, já estou até atrasado...
-- Quer dizer, o senhor não pode doar porque excedeu sua cota...
-- ???? não é uma vez a cada dois meses?
-- Sim, mas só pode quatro vezes por ano. O ideal é uma vez a cada três meses.
-- Isso é novidade. Não tá escrito em lugar nenhum... sempre soube que era uma vez a cada dois meses... três meses para as mulheres...
-- (já impaciente): não posso fazer nada, é a lei. O senhor só pode doar depois do dia... hummm... 10 de maio.
-- Mas 10 de maio é amanhã!!!
-- Então o senhor volta na segunda.
-- Mas é só por um dia!
-- Sinto muito. O "sistema" não permite. Bom dia.
-- Certo. E depois Vocês reclamam da falta de doadores.
-- Não posso fazer nada. É a lei.

Certo. Dura lex, sed lex. Eles tem mesmo que ser rigorosos, mas com a qualidade sanitária do sangue doado. Eu estava lá, voluntariamente, pronto para doar, com 1,80 de altura e mais de 100 quilos, não iria ficar anêmico nem desmaiar por causa de um dia...

Vou voltar, quem precisa do sangue não tem nada a ver com isso. Mas, quantos não voltam?

E, na onda das reportagens dominicais do Dr. Dráuzio, será que a "burrocracia", a estupidez do engessamento do serviço público, também não está atrapalhando a doação de órgãos?

Ps.: Antes de doar, é preciso responder um questionário de duas páginas, esclarecendo coisas como, por exemplo, se já teve contato com a vaca louca.
Mas a pergunta mais interessante é "manteve relação sexual com mais de duas pessoas nos últimos meses?" Nunca sei se inclui "ao mesmo tempo?".
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar. Nem sempre responderei a seus comentários, o que não quer dizer que não os li. Se estão publicados, é porque os vi. Como não pretendo definir este blog como "com conteúdo adulto", a única censura, se houver, será para evitar excessos, em respeito às crianças -- de qualquer idade -- que eventualmente também lêem este blog.