Tenho publicado notas sobre o que escuto por aí, sob o marcador "entreouvido". Estava conjecturando a respeito e achei que valia uma metapostagem (acho que deve ser esse o nome para um post a respeito de um post, ou sobre o que é postado), então lá vai.
Constato que, mais do que da curiosidade inata deste repórter blogueiro, e de muitos outros de antenas sempre ligadas, as notas de "entreouvido" nascem do comportamento que, reparem, parece estar se generalizando: na rua, no ônibus, nos restaurantes, nas filas, ao conversarem com alguém, ou falarem ao celular, as pessoas agem como se não existisse mais ninguém no mundo, e tratam em alto e bom som de assuntos que algum dia já foram considerados "de foro íntimo".
Discrição, recato, dignidade, são palavras com significado quase morto.
O que leva, por exemplo, a moça a contar no celular, em alta voz, no calçadão cheio de gente desconhecida, que "então, conversei com o médico, ele disse que ainda há uma chance, mas que se não der certo tenho que tirar as trompas e o útero..."
É a comédia da vida privada, frases soltas que contém grandes histórias. Um prato cheio para blogs interessados no comportamento das pessoas. E nem se pode aventar a bisbilhotice, pois que tudo é dito para todo mundo ouvir.
Por outro lado, talvez tenha sido sempre assim, esse tipo de conversa pode ter sempre existido, e simplesmente demorava mais para haver o registro, quando havia.
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23-year-old contributing to groceries and chores refuses to start paying
rent while older brother lives for free at home: 'I made it very clear to
my parents'
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Living with family as an adult often requires negotiating chores and bills.
There's always someone who contributes more than others, and it's easy to get
f...
Há 14 horas



Percebo exatamente isso no dia-a-dia, caro Nando! A maioria age como se estivesse isolada no mundo. Inclusive, e principalmente, quando ignoram totalmente a presença de pessoas passantes ou próximas. Pedir licença, pedir desculpas e sorrir com amabilidade são atitudes que não existem mais nos grandes centros. Abração!
ResponderExcluirE, repare, quando a gente faz isso com os outros (sorrir, pedir licença ou desculpas), ficamos parecendo uns ETs.
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